O ponto de partida para uma investigação científica é a escolha de um tema ou de uma grande área de interesse. Afinal, essa será a decisão primeira que pode desencadear uma busca constante por respostas e/ou soluções ao longo de uma vida.

O conhecimento científico tem como característica capital o uso da razão. No entanto, a escolha da temática de investigação pode (ou talvez deva) ter contornos passionais. Digo isso, porque o trabalho do investigador consiste em debruçar-se sobre a observação de fatos e fenômenos relacionados a sua área de atuação. Seria tortura dedicar-se a um tema que não desperta a motivação necessária para trabalhar ao longo de grandes períodos.

Dito isso, saíamos do ponto de partida e demos o primeiro passo. Trata-se da formulação de um problema. A importância de sugerir um problema a partir da descrição ou explicação da realidade como ela é mostra-se como a decisão mais importante no caminho a ser trilhado na investigação científica.

A sabedoria oriental já nos alertava que, não importa qual será a distância a ser percorrida, o mais importante é o primeiro passo na direção correta. Na produção acadêmica, o alerta vem de Almeida & Freire (2003) quando afirmam que “toda a produção científica inicia-se, então, pela identificação e clarificação de um problema”.

Das estratégias para formulação de um problema trazidas pelos autores acima citados, destaco duas que simplificarei a seguir. A primeira é problematizar as relações entre a teoria e a prática, ou seja, a partir da teoria existente propor uma investigação sobre sua aplicabilidade em situações reais. A segunda é começar pela observação direta dos fenômenos, ou seja, problematizar situações reais buscando referencial teórico para endossá-las ou refutá-las.

A partir da simplificação proposta aqui, evidenciam-se dois caminhos: da teoria para a prática e da prática para a teoria. Se a teoria, na prática, não funciona, devemos mudar o estado da arte de tal teoria. Se a prática revela-se ineficiente e distante da teoria, é o momento de testar as hipóteses e pressupostos teóricos na prática.

Referências

Almeida, Leandro S. & Freire, Teresa (2003) problema, hipóteses e variáveis. In: Metodologia da Investigação em Psicologia e Educação. Braga: Psiquilíbrios.

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