Paradigma, pressupostos e perspectivas

O paradigma qualifica o ponto de partida como uma forma acadêmica de propor um problema. É um substantivo masculino que significa um exemplo ou padrão a ser seguido ou já estabelecido. Como um qualificador padrão atende a pressupostos e perspectivas que auxiliam a construção do conhecimento científico.

Os pressupostos podem ser ontológicos, epistemológicos e metodológicos. Ontológico é um adjetivo que faz referência à ontologia, ramo da metafísica que analisa as coisas existentes no mundo, a natureza do ser e a realidade. Epistemológico é um adjetivo relativo à epistemologia, à teoria do conhecimento, que analisa as relações entre sujeito (ser pensante) e objeto (ser inerte) ou entre outros indivíduos estudados. Metodológico é um adjetivo que diz respeito aos métodos, à ciência que se dedica ao estudo dos métodos, às normas e regras para a realização de uma pesquisa (Ribeiro & Neves, 2019).

Os dois principais pontos de vistas são classificados sob a perspectiva científica ou humanista. A perspectiva científica pertence a um espectro mais racionalista e positivista com o objetivo de aumentar o conhecimento, comprovando e mensurando matematicamente. A perspectiva humanista a uma visão humanista, naturalista e relativa com o objetivo de compreender os fenômenos e seus contextos (Costa, 2019).

Assim, podemos concluir que a educação deve ser investigada sob o ponto de vista humanista, para compreender quem, o que, porque e como interpretamos a realidade sob determinado contexto temporal, político, sociológico e naturalista. São humanos investigando, interpretando ou comparando outros humanos, estudando à sua própria espécie.

Costa, F. (19 de novembro de 2019). Aula sobre os paradigmas de investigação científica. Lisboa, Portugal.

Ribeiro, D., & Neves, F. (2019). Dicionário Online de Português. Fonte: https://www.dicio.com.br/

Problema: a pergunta de partida

Após definir o tema, deve- se formular a pergunta de partida: o problema, pois todo trabalho científico deve buscar soluciona-lo ou, simplesmente, responde-lo em prol de sua relevância acadêmica e social. Ademais, o problema deve ser próximo ser próximo da sua realidade e área de interesse, qualquer investigação é conduzida tendo em vista esclarecer uma dúvida, replicar um fenômeno, testar uma teoria ou buscar soluções para um determinado problema (Almeida & Freire, 2003).

Para direcionamento da pesquisa e revisão bibliográfica, o investigador pode iniciar o trabalho organizando um plano de análise para identificação de investigações anteriores e suas respectivas metodologias. Em seguida, a revisão bibliográfica pode ser ampla, facilitada pela pesquisa das palavras- chave em base de dados publicados em sites caracterizados pela idoneidade acadêmica. A revisão bibliográfica é fundamental para identificar o que já foi estudado, como foi estudado, quais os resultados alcançados e se há lacunas acadêmicas pertinentes.

Após esta etapa, é possível definir o referencial teórico da investigação. Ao tempo em que todas as leituras devem ser direcionadas para formulação das hipóteses que, de forma redundante e autoexplicativa, vislumbram responder hipoteticamente a pergunta de partida. Para Almeida & Freire (2003) as hipóteses podem ser dedutivas quando visam deduções implícitas das mesmas teorias ou indutivas quando se baseiam na observação ou reflexão da realidade. Assim, ao formular as hipóteses, o pesquisador identifica as variáveis e suas relações. As variáveis qualificativas permitem descrever sujeitos e situações, classificando-os por atributos ou categorias, já as variáveis quantitativas possuem características mensuráveis permitindo uma avaliação por diversos critérios, como de frequência, grau ou intensidade.

Nestes termos, podemos concluir que a definição do ponto de partida organiza a investigação, mapeando o caminho sistemático que devemos percorrer para solucionar o problema proposto.

Almeida, L. S., & Freire, T. (2003). Metodologia da Investigação em Psicologia e Educação. Braga: Psiquilíbrios.

Síntese – Texto 10 – Redes Sociais para Cientistas (Sanchez, Granado & Antunes, 2014)

REDES SOCIAIS PARA CIENTISTAS
Ana Sanchez
António Granado
Joana Lobo Antunes
ISBN: 978-989-20-5419-3

Com o avanço das tecnologias da informação, existe a necessidade para a visibilidade dos investigadores para que sejam facilmente encontrados online. Estas mesmas ferramentas sociais também contribuem para a promoção das atividades e também na divulgação dos trabalhos destes pesquisadores.

Existe uma preocupação em como os pesquisadores/investigadores devem cuidar da sua reputação na WEB, como objetivo para esta proposta podemos citar alguns pontos:

  1. Ser contactável por qualquer pessoa
  2. Construir a sua própria identidade
  3. Organizar a sua informação pessoal
  4. Evitar confusões ou mal-entendidos
  5. Aumentar a sua comunidade
  6. Expandir a sua marca

Para iniciar a exposição do investigador na WEB, podemos seguir este pequeno tutorial proposto pelo autor;

Primeiros passos

  1. Pesquise o seu nome no Google
    a. Inclua na pesquisa as Google Images
    b. Abra uma conta Google
    c. Crie um Google Alert em seu nome
  2. Construa uma página pessoal
    a. Prepare uma biografia curta e inclua link para o seu CV
    b. Faça a página na sua instituição (ou/e)
    c. Crie uma página própria em aboutme.com (ou/e)
    d. Crie a página num domínio próprio
  3. Junte-se às redes sociais que fizerem sentido para si
    a. Facebook, Twitter , LinkedIn, Google+
    b. Google Scholar, Research Gate, Academia.edu
    c. Instagram, Pinterest, outras
  4. Optimize a sua presença
    a. Preencha os perfis ou páginas (incluindo foto)
    b. Arranje um URL diferenciado, se possível
    c. Ligue os perfis/páginas/contas uns aos outros
  5. Assuma que nada é privado
    a. Tome atenção ao que escreve
    b. Se é mesmo privado, não o partilhe
    c. Tome consciência da sua imagem na Web

Estes dados demonstram o alcance de cada rede social por minuto:
Facebook – 3,3 milhões de posts
Twitter – 350 mil tweets
YouTube – 100 horas de vídeo
Instagram – 38 mil fotos
LinkedIn – 120 novas contas

No campo da comunicação da ciência, estas redes são importantíssimas na difusão da informação proveniente de investigadores e de instituições, facilitando a sua disseminação a um público muito vasto. Muitas organizações possuem regras para a utilização das redes sociais por parte dos seus empregados, uma forma de afinar o tipo de conteúdos partilhados nessas plataforma. Podemos citar doze razões para os cientistas usarem as redes sociais para expandir seu networking:

  1. Ferramenta de aprendizagem
  2. Ferramenta de ensino
  3. Ferramenta para conferências
  4. Ferramenta de partilha de perfis
  5. Ferramenta de disseminação da investigação
  6. Ferramenta de colaboração
  7. Lugar para se manter actualizado sobre a sua área de conhecimento
  8. Lugar para colocar questões
  9. Lugar para discussões e partilha
  10. Lugar para controlar a concorrência
  11. Lugar para seguir eventos onde não se pode estar
  12. Lugar para conhecer novas oportunidades

A expansão da ciência pela WEB não ficou exclusivamente por pesquisadores/investigadores, e também algumas universidades decidiram acrescentar suas instituições em redes sociais, no Youtube. Atualmente existem no youtube as seguintes universidades contendo mais de 150 mil seguidores: Harvard University, MIT Open Course Ware, Stanford University e Yale Courses.

Existem algumas redes sociais vocacionadas especialmente para a troca de
informação profissional, tanto genérica (LinkedIn) como específica para cientistas nomeadamente: Google Scholar, ResearchGate, Academia.edu.

Criar e manter um perfil em redes sociais profissionais permite sublinhar a informação científica do percurso profissional, fazendo com que se seja identificado pelas funções actuais, numa perspectiva de ligação com outros investigadores.

Manter o perfil actualizado nas redes sociais profissionais permite-nos modelar a informação que os outros recebem sobre nós. Podemos garantir que nos conhecem pelas áreas científicas em que nos interessa investir no momento e não por outros temas em que já possamos ter trabalhado.

O Google Scholar é um motor de pesquisa cujos resultados apresentam apenas artigos científicos, actas de conferências e livros. No Linkedin o perfil tem a utilidade de um Curriculum Vitae dinâmico, com a possibilidade de fazer ligações com pessoas que ficam com acesso às actualizações, como no Facebook.

A Academia.edu é uma rede social para investigadores. Foi lançada em Setembro
de 2008, e até Julho 2014 acumulou mais de 11 milhões de utilizadores de todo
o mundo. Funciona essencialmente como um repositório de informação dos
próprios utilizadores, de livre acesso para os restantes membros da rede

O ResearchGate é uma rede social para investigadores, que têm como objectivo
a partilha de artigos científicos e a sociabilização. O ResearchGate funciona como um misto entre LinkedIn, Academia.edu e Facebook.

As redes de agregação ou curadoria servem para reunir conteúdos sobre determinado tema num único local. À semelhança de um curador de uma exposição, cabe ao utilizador seleccionar e dar sentido aos conteúdos, de modo a tornar o conjunto relevante para si e, idealmente, para outros utilizadores.

Apesar de as plataformas de agregação serem um fenómeno relativamente recente
na Web, muitas marcas já descobriram o poder da agregação de conteúdos para
promover os seus próprios produtos ou serviços

Com o slogan “Pin your interests”, o Pinterest é a mais conhecida e mais utilizada
plataforma de agregação. A ideia desta plataforma, com grande ênfase na
componente visual, é a de um grande quadro de cortiça digital onde se afixam
imagens que servem de links a conteúdos espalhados na web. Também se podem
adicionar imagens ou vídeos próprios.

O Bundlr é uma plataforma de agregação de origem portuguesa. Muito semelhante
ao Pinterest tem a vantagem de permitir adicionar qualquer tipo de conteúdo com um endereço electrónico.

A plataforma Scoop.it é uma ferramenta muito versátil. Embora muitas funcionalidades só existam na versão Premium, a versão gratuita é suficiente para a maioria dos utilizadores. O Scoop.it permite agregar todos os tipos de conteúdos web e fazer upload de imagens (de documentos na versão paga) ou inserir apenas comentários. Uma vantagem do Scoop.it é a possibilidade de classificar os conteúdos através de etiquetas, o que torna muito fácil a pesquisa de subtópicos.

A ideia por trás do Storify é mesmo criar histórias a partir da informação disponível on-line. Nesta plataforma, dar sentido à informação é escolher uma ordem para apresentar os conteúdos. Na maioria das vezes a ordem escolhida é mesmo a cronológica e, por isso, o Storify é muito utilizado para registar a evolução de uma notícia ou eventos como conferências científicas.

A organização da informação na rede Pearltrees é feita de forma hierárquica, à semelhança dos arquivos de um computador. A navegação entre as diferentes colecções é muito simples e é possível adicionar qualquer tipo de conteúdo (links, fotos, ficheiros, notas).
A grande diferença desta ferramenta em relação às anteriores é a sua natureza
verdadeiramente cooperativa. Além da possibilidade de colaboração entre utilizadores, o Pearltrees permite que o utilizador replique colecções de outros utilizadores na sua própria colecção e beneficie das novas adições feitas pelo utilizador original.

Os weblogs nasceram nos anos 90 e tiveram um grande impulso em 1999 quando começaram a surgir diversas ferramentas que permitiam a qualquer pessoa publicar facilmente na World Wide Web, mesmo não tendo conhecimentos de linguagem. A mais decisiva destas ferramentas de publicação foi o Blogger, criado em Agosto de 1999 pela empresa Pyra Labs e posteriormente adquirido pela Google.

Um weblog, ou blog, é essencialmente uma página na Internet onde os textos
aparecem pela ordem inversa em que foram escritos, ou seja, os mais recentes aparecem primeiro. A estes textos chama-se “posts” e estes posts podem conter texto, imagens e links para outros sites na Web. Há blogs pessoais e colectivos, blogs sobre temas e sobre marcas, especializados em fotografias ou em vídeos, de universidades e de empresas, de todos os tipos e para todos os gostos. Actualmente, a mais usada ferramenta para a criação de weblogs é o WordPress, que está disponível numa versão já alojada num servidor e gratuita.

Não devemos começar um blog sem critérios, objetivos e que não receberá atualização. É necessário dedicar algum tempo a experimentar a plataforma que escolheu. Visite outros blogs e aprenda com os bloggers mais velhos. Escolha um tema de que goste mesmo e comece a escrever. Mantenha-se focado nesse tema e publique conteúdos de qualidade
Organize o seu tempo para dedicar uns minutos por semana ao blog. Partilhe os conteúdos do seu blog nas outras redes sociais.

Junte-se à comunidade dos bloggers de ciência, pense na sua audiência e em conteúdos que lhe sejam úteis, seja realista com as suas ambições e divirta-se.

De acordo com o livro, podemos utilizar dez conselhos para ser um novo blogger:

  1. Não comece um blog só porque alguém acha que deve começar
    02.Dedique algum tempo a experimentar a plataforma que escolheu
    03.Visite outros blogs e aprenda com os bloggers mais velhos
    04.Escolha um tema de que goste mesmo e comece a escrever
    05.Mantenha-se focado nesse tema e publique conteúdos de qualidade
    06.Organize o seu tempo para dedicar uns minutos por semana ao blog
    07.Partilhe os conteúdos do seu blog nas outras redes sociais
    08.Junte-se à comunidade dos bloggers de ciência, dando-se a conhecer
  2. Pense na sua audiência e em conteúdos que lhe sejam úteis
  3. Seja realista com as suas ambições e divirta-se

Manter uma presença nas redes sociais deve ser uma escolha consciente dos
investigadores e das instituições que, em primeiro lugar, devem avaliar quais
valem a pena apostar e que vantagens. Há quem esteja nas redes sociais apenas para se manter a par das novidades do seu campo, há quem produza conteúdos para uma única plataforma, há quem consiga manter uma presença assídua em vários espaços em simultâneo.

Da experiência que temos acumulado com os cursos que leccionam sobre
redes sociais para cientistas, sabemos que muito ficou por dizer sobre cada uma
das redes em particular, e que alguns dos leitores vão ficar com curiosidade para
saber mais sobre esta área.

[Mapa conceitual] Investigação Científica

A metodologia de investigação é disciplina indispensável para qualquer investigador. Parece defender o obvio, mas esta disciplina é, muitas vezes, deixada em segundo plano e tratada como dispensável.

Vemos assim, inúmeros trabalhos sendo produzidos sem muito rigor cientifico, dados não confiáveis e investigadores que até hoje possuem dúvidas sobre como formular corretamente um problema, como escolher o método mais adequado a sua pesquisa ou ainda como coletar e analisar dados.

Webinar Análise de dados qualitativos com software vantagens e desvantagens

Neste post, compartilho convosco este Webinar ministrado pelo Professor António Pedro Costa (Doutorado em Multimédia em Educação pela Universidade de Aveiro) acerca das vantagens e desvantagens do uso de softwares no processo de investigação qualitativa.

“A utilização de pacotes de software na análise de dados qualitativos é uma realidade que poucos investigadores conseguem, atualmente, contornar. Alguns investigadores recorrem a soluções não específicas, tais como o Excel ou o Word para a análise dos seus dados qualitativos. Outros, têm a necessidade de indicar, nas suas publicações, que exploraram determinada ferramenta de análise de dados, sem a terem efetivamente utilizado. Independentemente do caminho que o investigador segue, é claro que o uso correto de ferramentas específicas para a análise de dados qualitativos credibiliza o projeto de investigação.”

Referência

webQDA Software. (2018, March 21). Webinar Análise de dados qualitativos com software vantagens e desvantagens [Video file]. Retrieved from https://www.youtube.com/watch?v=8IIuNs_pcck.

Lógica Qualitativa e Lógica Quantitativa

Romanelli & Biasoli-Alves (1998) afirmam que a relação desejada entre o quantitativo com o qualitativo pode ser considerada complementar. Ou seja, enquanto o quantitativo se ocupa de ordens de grandezas e as suas relações, o qualitativo é um quadro de interpretações para medidas ou a compreensão para o não quantificável.

Para Ortí (1994) a relação entre métodos quantitativos e qualitativos pode ser considerada uma “relação de complementaridade por deficiência, que se centra precisamente através da demarcação, exploração e análise do território que fica mais além dos limites, possibilidades e características do enfoque oposto.” p.89

Para Minayo (1994) as relações entre abordagens qualitativas e quantitativas demonstram que:

• “as duas metodologias não são incompatíveis e podem ser integradas num mesmo projeto;

• uma pesquisa quantitativa pode conduzir o investigador à escolha de um problema particular a ser analisado em toda sua complexidade, através de métodos e técnicas qualitativas e vice-versa;

• a investigação qualitativa é a que melhor se coaduna ao reconhecimento de situações particulares, grupos específicos e universos simbólicos.

Do ponto de vista epistemológico, depreende-se:

• que todo conhecimento do social (quantitativo ou qualitativo) só é possível por recorte, redução e aproximação;

• que toda redução e aproximação não podem perder de vista que o social é qualitativo e que o quantitativo é uma das suas formas de expressão;

• que, em lugar de se oporem, as abordagens quantitativas e qualitativas têm um encontro marcado tanto nas teorias como nos métodos de análise e interpretação.” p.32

Minaÿo (1994) afirma que é importante considerar que “dados aglomerados e generalizados nem sempre correspondem à realidade social que pretendem explicar e à qual propõe adequar.” p.32

Esse ponto de vista pode nos levar a pensar num outro critério para avaliar os trabalhos tanto quantitativos como qualitativos: pesquisas que tenham como objetivos a construção de um conhecimento que se preste, de uma ou de outra forma, a melhorar o mundo que estamos. Em outras palavras, não teríam as pessoas de uma dada comunidade o direito de conhecer as pesquisas financiadas com verbas públicas para conhecer as suas possíveis contribuições sociais? Os critérios de relevância social não deveriam também contemplar as avaliações de qualidade das pesquisas?

Como afirma Bleger (1977), até mesmo a pesquisa por mais básica que seja tem que dizer ao que ela se atrela para construção de um conhecimento que se aplique às necessidades da humanidade.

Romanelli , G. ; Biasoli-Alves, Z.M.M. (1998) Diálogos Metodológicos sobre Prática de Pesquisa. Programa de Pós-Graduação em Psicologia da FFCLRP USP / CAPES ; R. Preto:Editora Legis-Summa)

Funções do Problema

LAROCCA, ROSSO & SOUZA (2005) realizaram ampla pesquisa, com o exame de 28 obras de Metodologia da Pesquisa para tentar identificar a definição do objetivo de pesquisa. A identificação ou definição do objetivo de pesquisa não é uma tarefa trivial, como indicam os autores, e decorre justamente de uma boa especificação do problema de investigação.

Luchesi (1989, p. 169) traz o item “Definir objetivos” ao referir-se à estrutura da redação do projeto. Ele diz que:

Devemos ter claro nesse passo que objetivos que pretendemos alcançar, isto é, qual a problemática a ser refletida, ou ainda, o que pretendemos dizer, realmente sobre o assunto tematizado. A clara determinação do objetivo garante, na explicitação de uma mensagem, uma linha de coerência interna, isto porque trata de um esforço de, mesmo antes de escrever, deixar patente para que “tanto” devem “convergir” as idéias. (…) Com o objetivo bem esclarecido, podemos partir para o esquema, um roteiro orientador da abordagem a que nos propomos.

Luna (1998) é um dos autores que traz contribuições à polêmica dos objetivos, pois, ao tratar do tema “O problema de pesquisa”, aborda a questão dos objetivos juntamente com a questão das hipóteses, enfatizando que a clareza quanto ao problema de pesquisa é um passo fundamental do processo de pesquisar.

Para Luna (op. cit., p. 28): “com alguma freqüência estabelece-se uma confusão entre elementos relativos a um problema de pesquisa e o próprio problema, dando-se andamento ao trabalho de pesquisa sem uma clareza suficiente quanto ao que se pretende pesquisar”. Segundo ele, os objetivos são elementos desse processo.

Contudo, é instigante constatar advertências do autor de que problemas de pesquisa são muitas vezes tomados por objetivos de pesquisa. Ele reconhece que existe uma confusão instalada e, em uma pequena nota de rodapé, registra sua suspeita de que a expressão “objetivos de pesquisa” foi cunhada nos formulários das agências de fomento para forçar a explicitação da relevância de um projeto (Luna, 1998, p. 35). Acredita que o bom-senso seja suficiente para dirimir dúvidas sobre a formulação dos objetivos no projeto ou relato.

Como se nota, objetivos são diferentes de problemas, contudo para serem formulados dependem da clareza que se tem destes.

LAROCCA, P.; ROSSO, A. J.; SOUZA, A. P. DE. A formulação dos objetivos de pesquisa na pós-graduação em Educação: uma discussão necessária. Revista Brasileira de Pós-Graduação, v. 2, n. 3, 11.

Síntese – Métodos de Análise de Informação (Texto4-2015_Aires_pp.43-52)

Para que ocorra o processo de investigação, faz-se necessário a utilização de métodos para recolha de dados, que podem ser desde a entrevista, observação directa de factos e comportamentos, à análise de artefactos, documentos, registos culturais e registos visuais ou experiências profissionais. Para um processo analitico dos dados recolhidos, se faz necessário o uso correto do método para análise da informação.

Uma das grandes dificuldades para análise da informação é a escassez de informações e de sistematizações e seu caráter aberto e flexível. Encontramos três dimensões básicas para realizar a análise de acordo com a sua coerência, sendo elas: processos de teorização, estratégias de seleção sequencial e procedimentos analiticos e gerais.

Para a Análise da informação quantitativa, consideremos: Processos de teorização, Técnicas geradoras que são estratégias de seleção em sequência e procedimentos Analíticos. As informações científicas são feitas através destes seguintes passos: Descrição, Interpretação e Teorização.

Nas técnicas geradoras incluem-se a selecção de casos negativos, selecção de casos discrepantes, a amostragem teórica e o método de comparação constante.
A codificação e a análise dos dados, permitirá por sua vez, decidir qual é a nova informação que é necessário recolher e onde pode ser encontrada, para desta forma desenvolver a teoria emergente. Através do método de comparação constante vão identificar-se as propriedades da informação, analisam-se as inter-relações e integram-se numa teoria.

Para os procedimentos analíticos descrevem-se como meios sistemáticos para
manipular os dados, são a forma mais externa da análise. São métodos diversificados, que vai da auto-reflexão ao tratamento estatístico, passando pela análise temática e a análise semântica.

A redução de dados implica a seleção, focalização, abstração e transformação deste para a formulação de hipóteses de trabalho ou conclusões. A redução de dados é realizada
ao longo de toda uma investigação,podem ser reduzidos e transformados, quantitativa ou qualitativamente.

Simploriamente, o processo de análise de dados se dá através de alguns subprocessos: Recolha de dados, Exposição de dados, redução de dados e conclusões e verificação dos dados. Os dados que descobertos, são o produto de muitos níveis de interpretação. Assim, uma boa teoria deve possuir categorias que se ajustam aos dados que possam explicar, predizer e interpretar a ação e deve ser modificável se necessário.

Como estratégias de análise intracaso, existem uma extensa gama de estratégias
de análise de dados. Essa diversidade de perspectivas é agrupada por Huberman e Miles (1994) em dois modelos: estratégias orientadas para casos e estratégias orientadas para a variável.

A análise intracaso se divide em dois níveis de compreensão, o descritivo onde as questões clássicas sobre o que está a acontecer e sobre como as coisas se processam reenvia-nos para a descrição do fenómeno. O segundo nível de compreensão está relacionado com o porquê. que pode significar o aprofundamento do contexto teórico, a justificação da ação, a apresentação de razões, a fundamentação de uma posição ou o estabelecimento de uma relação causal.
O estudo de caso único constitui um modo tradicional de investigação qualitativa. Podemos dizer que são estudos de um indivíduo ou algo que partilha um conjunto de características comuns por exemplo: família, tribo, pequeno negócio, vizinhança, comunidade.

Deve-se considerar a imensa dificuldade em estudos intercasos, sobretudo quando existe a necessidade de análises de casos múltiplos, considerando causalidade e elaborando-se simplificados conjuntos de generalizações que podem não ser aplicáveis a determinado caso isolado.
Em estratégias de análise intracaso, existe uma grande variedade de estratégias de análise de dados provenientes de casos múltiplos ou de dados provenientes de diversas fontes. Essa diversidade de perspectivas é agrupada por Huberman e Miles (1994) em dois modelos: estratégias orientadas para casos e estratégias orientadas para a variável.

As estratégias centradas no caso partem de um marco conceitual que acompanha o primeiro estudo de caso e, posteriormente, são examinados os sucessivos casos para verificar se o novo modelo se assemelha ao modelo detectado anteriormente.

Referência

Texto 4: Aires, L. (2015). Paradigma qualitativo e práticas de investigação educacional. In e-book (pp. 24–43). Lisboa: Universidade Aberta. Retrieved from http://hdl.handle.net/10400.2/2028

Entrevista como Método de Pesquisa

Conforme afirmam Meneses & Rodríguez (2011), existem muitas e variadas definições de entrevista, porém todas consideram que a entrevista é o marco da investigação social, consiste na troca oral entre duas ou mais pessoas com o propósito de alcançar uma maior compreensão do objeto de estudo, da perspectiva da(s) pessoa(s) entrevista(s).

Quadro comparativo, com vantagens e desvantagens da técnica de entrevista.

Figura 1 – Principales ventajas e inconvenientes de las entrevistas.
Fonte: Recuperado de “El cuestionario y la entrevista”, de Meneses & Rodríguez (2011.p.40)

Abaixo um vídeo explicativo (conceitos e exemplos práticos) do Professor Jeferson Antunes comentando a “entrevista” como método de pesquisa. Iniciar o vídeo aos 01’03”.

Referências

Meneses, Julio & Rodríguez-Gómez, David. (2011). El cuestionario y la entrevista.

Pesquisa & Jogos. (2019, Março 13). Entrevista como método de pesquisa [Arquivo de vídeo].
Recuperado de https://www.youtube.com/watch?time_continue=77&v=59SlJCN-U9s&feature=emb_title


Questionário

Amaro et al. (2005) afirmam que um questionário é um instrumento de investigação que visa recolher informações baseando-se, geralmente, na inquisição de um grupo representativo da população em estudo. Para tal, coloca-se uma série de questões que abrangem um tema de interesse para os investigadores, não havendo interacção directa entre estes e os inquiridos.

Um questionário é extremamente útil quando um investigador pretende recolher informação sobre um determinado tema. Deste modo, através da aplicação de um questionário a um público-alvo constituído, por exemplo, de alunos, é possível recolher informações que permitam conhecer melhor as suas lacunas, bem como melhorar as metodologias de ensino podendo, deste modo, individualizar o ensino quando necessário.

 A importância dos questionários passa também pela facilidade com que se interroga um elevado número de pessoas, num espaço de tempo relativamente curto.

Estes podem ser de natureza social, económica, familiar, profissional, relativos às suas opiniões, à atitude em relação a opções ou a questões humanas e sociais, às suas expectativas, ao seu nível de conhecimentos ou de consciência de um acontecimento ou de um problema, etc.

TIPO DE QUESTÕESVANTAGENSDESVANTAGENS
Resposta abertaPreza o pensamento livre e a originalidade;Surgem respostas mais variadas;Respostas mais representativas e fiéis da opinião do inquirido;O inquirido concentra-se mais sobre a questão;Vantajoso para o investigador, pois permite-lhe recolher variada informação sobre o tema em questão.  Dificuldade em organizar e categorizar as respostas;Requer mais tempo para responder às questões;Muitas vezes a caligrafia é ilegível;Em caso de baixo nível de instrução dos inquiridos, as respostas podem não representar a opinião real do próprio.  
Resposta fechadaRapidez e facilidade de resposta;Maior uniformidade, rapidez e simplificação na análise das respostas;Facilita a categorização das respostas para posterior análise;Permite contextualizar melhor a questão.Dificuldade em elaborar as respostas possíveis a uma determinada questão;Não estimula a originalidade e a variedade de resposta;Não preza uma elevada concentração do inquirido sobre o assunto em questão;O inquirido pode optar por uma resposta que se aproxima mais da sua opinião não sendo esta uma representação fiel da realidade.

Adaptado de Amaro et al. (2005)

AMARO, A.; PÓVOA, A.; MACEDO, L. A arte de fazer questionário. Porto: Universidade do Porto, 2005. Disponível em: <https://sites.google.com/site/sociologiaemaccao/2-metodologia-da-investigacao-sociologica/a-arte-de-fazer-questionarios.doc&gt;. Acesso em: 18 dez. 2019.

Observação

Belei et al (2008) citam diversos autores para conceituar e descrever a observação. Barton & Ascione (1984) afirmam que observar é um processo e possui partes para seu desenrolar: o objeto observado, o sujeito, as condições, os meios e o sistema de conhecimentos, a partir dos quais se formula o objetivo da observação.

As condições de observação são circunstâncias através das quais esta se realiza, ou seja, é o contexto natural ou artificial no qual o fenômeno social se manifesta ou se reproduz. Por sua vez, o sistema de conhecimento é o corpo de conceitos, categorias e fundamentos teóricos que embasa a pesquisa (REYNA, 1997).

Durante a observação são registrados dados visíveis e de interesse da pesquisa. As anotações podem ser feitas por meio de registro cursivo (contínuo), uso de palavras-chaves, check list e códigos, que são transcritos posteriormente (DANNA; MATOS, 2006). Uma observação controlada e sistemática se torna um instrumento fidedigno de investigação científica. Ela se concretiza com um planejamento correto do trabalho e preparação prévia do pesquisador/observador (LÜDKE, 1986).

Diz-se que uma observação é fidedigna quando o observador é preciso e seus registros são confiáveis. Não basta apenas colocar-se próximo ao objeto de estudo e olhá-lo. Deve-se olhar e registrar. Muitas vezes é preciso mais de uma pessoa para observar e registrar ao mesmo tempo, devendo haver concordância entre os registros. Como prova de fidedignidade, as anotações são comparadas entre o tempo, tamanho e tipo de anotação feita por cada um (BATISTA, 1977; BATISTA; MATOS, 1984).

BELEI, R.A., GIMENIZ-PACHOAL S.R., NASCIMENTO E.N., MATSUMOTO P.H.V.R. O uso de entrevista, observação e videogravação em pesquisa qualitativa. Cadernos de Educação. 2008;30(1):187-99.

Entrevista

Boni & Quaresma (2005) indicam que a entrevista é definida por Haguette (1997:86) como um “processo de interação social entre duas pessoas na qual uma delas, o entrevistador, tem por objetivo a obtenção de informações por parte do outro, o entrevistado”. A entrevista como coleta de dados sobre um determinado tema científico é a técnica mais utilizada no processo de trabalho de campo. Através dela os pesquisadores buscam obter informações, ou seja, coletar dados objetivos e subjetivos. Os dados objetivos podem ser obtidos também através de fontes secundárias tais como: censos, estatísticas, etc. Já os dados subjetivos só poderão ser obtidos através da entrevista, pois que, eles se relacionam com os valores, as atitudes e as opiniões dos sujeitos entrevistados.

As autoras complementam que a preparação da entrevista é uma das etapas mais importantes da pesquisa que requer tempo e exige alguns cuidados, entre eles destacam-se: o planejamento da entrevista, que deve ter em vista o objetivo a ser alcançado; a escolha do entrevistado, que deve ser alguém que tenha familiaridade com o tema pesquisado; a oportunidade da entrevista, ou seja, a disponibilidade do entrevistado em fornecer a entrevista que deverá ser marcada com antecedência para que o pesquisador se assegure de que será recebido; as condições favoráveis que possam garantir ao entrevistado o segredo de suas confidências e de sua identidade e, por fim, a preparação específica que consiste em organizar o roteiro ou formulário com as questões importantes (LAKATOS, 1996).

Por fim, as autoras afirmam que quanto à formulação das questões o pesquisador deve ter cuidado para não elaborar perguntas absurdas, arbitrárias, ambíguas, deslocadas ou tendenciosas. As perguntas devem ser feitas levando em conta a seqüência do pensamento do pesquisado, ou seja, procurando dar continuidade na conversação, conduzindo a entrevista com um certo sentido lógico para o entrevistado. Para se obter uma narrativa natural muitas vezes não é interessante fazer uma pergunta direta, mas sim fazer com que o pesquisado relembre parte de sua vida. Para tanto o pesquisador pode muito bem ir suscitando a memória do pesquisado (BOURDIEU, 1999).

Boni, V., & Quaresma, S. (2005). Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em ciências sociais. Em Tese, 2(1), 68-80. doi:https://doi.org/10.5007/%x

Entrevista

Moser e Kalton(1971) descrevem a entrevista como uma conversa entre um entrevistador e um entrevistado que tem o objetivo de extrair determinada informação do entrevistado.  Isto, afirmam este autoras, pode parecer uma questão muito simples mas sair com êxito de uma entrevista é muito mais complicado do que estas afirmação sugere.

Wiesman e Aron (1972) compara a condução de uma entrevista a uma expedição piscatória e explicando esta analogia, Cohen (1976) acrescenta que, tal como a pesca  a entrevista é uma atividade que requer uma preparação cuidadosa, muita paciência e experiência considerável se a eventual recompensa for uma captura valiosa.

A maioria das entrevistas, realizadas na etapa de recolha de dados de pesquisa, situam-se entre o ponto completamente estruturado. É importante dar liberdade ao entrevistado para falar sobre o que é de importância central para ele, em vez de falar sobre o que é importante para o entrevistador, por isso a estrutura da entrevista deve obedecer a tópico cruciais. A entrevista focalizada tem este tipo de tópico, esta consiste no fato de se estabelecer previamente uma estrutura (guião), simplificando assim grande mente a análise subsequente. Este ponto é relevante para qualquer pesquisa.

Etapas:

  1. Decidir o que se quer saber;
  2. Perguntar a nós próprios porque necessitamos de obter determinada informação;
  3.  Questionar: Será a entrevista a melhor forma de obter a informação;
  4. Se este instrumento o for, iniciar o esquema de perguntas baseadas nos objetivos de estudo;
  5. Decidir o tipo de entrevista a realizar;
  6. Aperfeiçoar as questões de acordo com o orientador;
  7. Considerar a forma como as questões são analisadas;
  8. Preparar o guião da entrevista;
  9. Testar o guião com colegas;
  10. Selecionar os entrevistados;
  11. Marcar hora e local com os entrevistados;
  12. Pedir autorização para a realização da entrevista, caso se tenha de recorrer a uma pedido formal;
  13. Apresentar de forma explícita o objetivo da pesquisa;
  14. Indicar o tempo de duração da entrevista;
  15. Realizar a entrevista com sucesso.

Análise de dados documentais

Uma vez decidido e bem definido o tema e especificados os objetivos do estudo, o investigador estará em condições de considerar a forma de recolha da informação que necessita para o seu estudo. A pergunta inicial não será que metodologia?, mas o que preciso saber e porquê?. Só então se questionará qual é a melhor maneira de recolher dados? E outra questão quando dispuser dessa informação o que farei com ela?

Todos sabemos que nenhuma abordagem depende de um só método, da mesma forma que não exclui determinado método apenas porque é considerado qualitativo ou quantitativo. Há que selecionar o método porque é este que fornece a informação de que se necessita para consolidar a pesquisa integral.

Uma premissa a ter em conta é o tempo, pois este pode influenciar a recolha dos dados e mesmo a pesquisa a ser realizada.

Seja qual for o procedimento de recolha de dados  que é escolhido este deverá ser sempre examinado criticamente pelo orientador, pois a sua fiabilidade é um fatores importante e que pode condicionar todo o processo de recolha de dados. A verificação da fiabilidade de um método surge no momento da formulação das questões.

Nos projetos de ciências da Educação a exigência de uma análise documental é exigente, e esta servirá para complementar a informação obtida, a pesquisa pode implicar a análise de filmes, vídeos, slides, livros, artigos e até mesmo fontes não escritas, que devem ser validadas pelo orientador, para desta forma terem credibilidade. Muitas vezes existem muitas fontes que não fidedignas nomeadamente na internet.

A pesquisa de documentos deve ser feita de uma forma estruturada, deve ser feita uma seleção equilibrada, tendo sempre em conta as restrições de tempo. Por isso o investigador deve verificar a periocidade do seu plano de trabalho.

Um dos objetivos importantes para a recolha de informação é avaliar se um documento se caracteriza principalmente pelo seu valor factual.

A análise do conteúdo da comunicação implica a classificação de conteúdos de forma a salientar a sua estrutura básica. Este termo é normalmente mais aplicado à análise de material documental ou visual do que a dados obtidos a partir de entrevistas. Os investigadores criam um conjunto de categorias que expliquem as questões a estudar, classificando depois o conteúdo destas de acordo com as categorias previamente estabelecidas. É essencial que estas sejam determinadas com precisão de forma a minimizar a subjetividade resultante se opiniões diferentes investigadores.  Abercrombie (1998)

Paradigmas da Investigação

Zanela Saccol (2009) afirmam que a partir de diferentes visões ontológicas e epistemológicas, geram-se diferentes paradigmas de pesquisa. A mesma autora cita Crotty (1998) que indica que paradigmas são, aqui, entendidos como sendo diferentes visões de mundo. Um paradigma é a instância filosófica que irá informar o método de pesquisa.

O Quadro 1 apresentado abaixo demonstra, de forma sintética, as diferentes definições sobre ontologia, epistemologia, paradigmas de pesquisa, métodos de pesquisa (estratégias) e técnicas de coleta e de análise de dados, indicando que a ontologia (nossa forma de entender como as coisas são) determina a nossa epistemologia (a forma como entendemos que o conhecimento é gerado) e ambas, por sua vez, originam diferentes paradigmas de pesquisa, dentro dos quais diferentes métodos podem ser utilizados, assim como diferentes técnicas de coleta e de análise de dados.

Zanela Saccol, Amarolinda (2009). Um retorno ao básico: Compreendendo os paradigmas de pesquisa e sua aplicação na pesquisa em administração. Revista de Administração da Universidade Federal de Santa Maria, 2(2),250-269.[fecha de Consulta 17 de Diciembre de 2019]. ISSN: . Disponible en: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=2734/273420378007

Critérios para seleção de problema

Oliveira (2011) indica que após a escolha e a delimitação do tema, o próximo passo é a transformação do tema em problema. “Problema é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática, para a qual se deve encontrar uma solução”. A primeira etapa de uma pesquisa é a formulação do problema, que deve ser na forma de pergunta. O autor cita Rudio (1980) que argumenta que formular o problema consiste em dizer, de maneira explícita, clara, compreensível e operacional, qual a dificuldade com a qual nos defrontamos e que pretendemos resolver, limitando o seu campo e apresentando suas características. Desta forma, o objetivo da formulação do problema é torná-lo individualizado, específico, inconfundível.

Já Lakatos & Marconi (1992) apud Oliveira (2011), indicam que para ser considerado apropriado, o problema deve ser analisado sobre os seguintes aspectos de valoração: viabilidade, relevância, novidade, exequibilidade e oportunidade. Complementam colocando que “desde Einstein, acredita-se que é mais importante para o desenvolvimento da ciência saber formular problemas do que encontrar soluções”. Cervo & Bervian (2002) complementam ao indicar que o problema de pesquisa é uma pergunta que deve ser redigida de forma clara, precisa e objetiva, cuja solução seja viável pela pesquisa. Geralmente, a elaboração clara do problema é fruto da revisão de literatura e da reflexão pessoal.

OLIVEIRA, Maxwell Ferreira de. Metodologia científica: um manual para a realização de pesquisas em Administração. Catalão: UFG, 2011.

Resultados e implicações de uma investigação

Alves-Mazzotti (2001) argumenta que a aplicabilidade dos conhecimentos na área da educação depende do desenvolvimento de teorias próprias, da seleção adequada de procedimentos e instrumentos, da análise interpretativa dos dados, de sua organização em padrões significativos, da comunicação.

A mesma autora afirma ainda que não podemos abrir mão do compromisso com a produção de conhecimentos confiáveis, pois só assim estaremos contribuindo, tanto para desenvolver o instrumental teórico no campo da educação como para favorecer tomadas de decisão mais eficazes, substituindo as improvisações e os modismos.

ALVES-MAZZOTTI, A. J. Relevância e Aplicabilidade da Pesquisa em Educação. Cadernos de Pesquisas. Fundação Carlos Chagas. n. 113. São Paulo: Cortez, p.39-50, 2001.