Segundo (Peixoto, 2015) Um problema é de natureza científica quando envolve variáveis que podem ser testadas, observadas, manipuladas. Um problema de pesquisa pode ser determinado por razões de ordem prática ou de ordem intelectual. São inúmeras as razões de ordem prática e intelectual que conduzem à formulação de problemas de pesquisa. Apenas com o objetivo de ilustrar o universo de possibilidades que pode se descortinar em relação a este tema.
Tópicos
Segundo (Alves, 2017) O tópico é a ideia central a ser aprendida ou explorada em um estudo. Há várias formas através das quais os pesquisadores obtêm algumas informações sobre o tópico quando estão começando sua pesquisa. Nosso conselho é que o tópico seja escolhido pelo pesquisador e não por um orientador ou pelo membro de um comitê. Hipóteses Segundo (Sgarbi, 2014) uma hipótese é uma afirmação que pode ser desafiada. Como tal, uma hipótese de trabalho é uma frase que possibilita questionar o “Como?”, “De que modo?” e o Por quê? de algo. O objetivo de uma hipótese é aclarado com a questão “Para quê?”
Variáveis
Segundo (Freire) ao formular as hipóteses o investigador está, no fundo, a identificar as variáveis e a definir as suas relações, ou seja o respectivo papel na investigação. A explicitação das variáveis e das suas relações constitui um novo passo importante na definição do modelo de análise do problema.
A natureza da Investigação científica se caracteriza por 3 elementos: A Investigação científica que é uma forma de conhecimento, a Ciência que possui o conhecimento rigoroso, metódico, sistemático e o Conhecimento Científico que é dividido em objetividade e casualidade. O Conhecimento Científico por sua vez se caracteriza por ser Objetivo, Sistemático, Comunicável, Racional, Analítico, Fático, Controlável, Metódico.
Projeto de Pesquisa
Segundo (Alves, 2017) podemos dividir o projeto de pesquisa em 3 tipos:
A pesquisa exploratória consiste em ter uma maior proximidade com o universo do objeto de estudo pesquisado. Ela é a pesquisa que visa, através dos métodos e dos critérios, oferecer informações e orientar a formulação das hipóteses do estudo. Ela visa a descoberta dos fenômenos ou a explicação daqueles que não eram aceitos, mesmo com as evidências apresentadas. Um bom exemplo de pesquisa exploratória são os estudos de caso, pois eles evidenciam a constatação de fenômenos ocorridos nos experimentos em campo ou no laboratório.
Já a pesquisa descritiva realiza um estudo detalhado através de técnicas de coleta, visando uma análise e interpretação mais profunda destes dados; proporciona novas visões sobre uma realidade já conhecida.
A pesquisa explicativa pretende justificar os fatores que motivam a ocorrência do objeto ou do fenômeno estudado. Ela é a pesquisa que relaciona teoria e prática no processo da pesquisa científica. Nas ciências naturais, por exemplo, é usado o método experimental, enquanto nas ciências sociais recorre-se ao método observacional. Segundo (Alves, 2017) podemos dividir o projeto de pesquisa em 3 classificações: Pesquisa Quantitativa: emprego da quantificação na coleta dos dados e na análise deles, por meio do tratamento estatístico; Pesquisa Qualitativa: é fundamentalmente interpretativa; consiste na coleta e análise dos dados quantificados ou não; ela analisa e descreve o fenômeno em suas formas mais complexas;
Pesquisa Mista: articula as dimensões quantitativa e qualitativa.
Muitos autores destacam as Perspectivas dos Paradigmas de Investigação:
Científica possui o objetivo de aumentar o conhecimento e com ênfase em: explicação de fenômenos, factos observáveis, medição objetiva, controle de variáveis, constatação empírica de resultados, racionalidade e objetividade.
Humanista/naturalista possui o objetivo de compreender os fenômenos e com ênfase em: interpretação real, representações dos indivíduos, linguagem, natureza subjetiva da realidade, ponto de vista do ator e indivíduo ativo na construção do real.
Positivismo. Para se conhecer um determinado fenômeno, deve ser possível observa-lo e medi-lo.
Relativismo. Os fatos são interpretações humanas da realidade, podem variar com o tempo ou serem percebidos de forma diferente por diferentes grupos ou culturas.
Segundo (Coutinho, 2011) o termo paradigma pode ser definido como um conjunto de regras, postulados e valores sistematizado por uma teoria que é aceita por todos os elementos de uma comunidade científica num dado contexto. Significa “um compromisso implícito de uma comunidade de investigadores com um quadro teórico e metodológico preciso, e, consequentemente, uma partilha de experiências e uma concordância quanto à natureza da investigação e à concepção.
Paradigma epistemológico e interpretativo
Segundo (Alves, 2017) o paradigma epistemológico geralmente é definido pela esfera do sensível, conjunto de sensações mestras de nossa realidade. Sobre a possibilidade de representar verdades e produzir conhecimentos por meio de nossos sentidos, temos a primeira sistematização moderna encontrada no Renascimento.O paradigma interpretativo. De uma forma sintética podemos afirmar que esse paradigma pretende substituir as noções científicas de explicação, previsão e controle do paradigma positivista pelas de compreensão, significado e ação, visto que “a abordagem interpretativa ou qualitativa das questões sociais e educativas procura penetrar no mundo pessoal dos sujeitos, […].” (COUTINHO, 2011, p. 16).
Este texto consiste em um reblog da publicação feita por Andre Mazzetto (2016)
Peço licença ao estimado prof. Fernando e aos meus colegas de mestrado para compartilhar este post, um tanto curioso, criativo e pertinente ao tema da UC Metodologia de Investigação I. Este reblog não deixa de ser uma homenagem aos amantes de gatos de nossa classe, nomeadamente @monteiroclaudia e @fcosta2020.
“Ozzy, saia daí agora!”
Esta é a frase mais ouvida e dita aqui em casa.
Nós temos dois gatos, o Ozzy Osbourne e a Norah Jones. Tínhamos também a Amy Winehouse, mas ela morreu muito jovem… é sério! Os tipos de coincidências que até assustam a gente!
Mas o que os gatos aqui de casa têm a ver com o método científico?
Alguns dias atrás uns amigos nos visitaram e fizeram a famosa (e perigosa) pergunta:
“De quem eles gostam mais, de você ou da Josi?
Eu não sabia responder.
A Norah é uma gata independente, que não liga muito para a interação com humanos, então não há preferidos para ela. Em compensação o Ozzy é o gato mais carente que eu já vi na vida! Ele tem a necessidade de estar perto de nós o tempo todo, então pode ser que ele tenha sim uma preferência por um de nós.
Assim, como um bom pesquisador, eu comecei a elaborar maneiras de testar e quantificar o quanto o Ozzy gosta de cada um de nós e de quem ele gosta mais.
Moral da história até aqui: NUNCA faça uma pergunta para um pesquisador que ele não saiba responder.
Meus amigos acabaram desencadeando um processo que quase me deixou louco (em consequência, quase deixou a Josi também…).
Então vamos lá, como um cientista faz pra descobrir uma resposta científica para uma pergunta intrigante?
Como eu vou determinar de quem o Ozzy gosta mais?
As pessoas podem aceitar algo como verdade baseado em intuição, ou credo. Vamos considerar minha própria crença: o Ozzy me ama mais do que qualquer pessoa! Eu SEI que ele me ama, eu sinto isso.
Será que essa crença é uma boa base para o conhecimento?
Bem… não é! Simplesmente acreditar em algo não faz ela ser verdade. Coisas que acreditamos firmemente podem na verdade ser falsas. E se alguém tem uma crença exatamente contrária? A Josi acredita que o Ozzy gosta mais dela do que de mim! Não há como saber quem está certo só comparando as nossas crenças.
Nós podemos contar o número de pessoas que creem na mesma coisa e constituir uma maioria, ou um consenso. Mas esta ainda não é uma boa base para o conhecimento. Só porque mais pessoas dizem que uma coisa é verdade, não quer dizer que realmente seja. Por séculos a maioria das pessoas pensava que a Terra era plana, hoje sabemos que ela não é!
Outra possível fonte é a opinião de uma autoridade, como políticos, esportistas, cientistas.
Também não é uma boa base para o conhecimento, porque a opinião deles é somente isso, uma opinião. Eles podem até ter mais acesso às informações, mas também possuem o seu lado pessoal, querendo que suas visões sejam aceitas. A carreira e a reputação destas pessoas dependem, muitas vezes, da opinião delas!
Vamos supor que a Josi contrate um especialista em gatos e ele diga que o Ozzy ama mais ela do que eu. É claro que eu serei cético a esta opinião, especialmente porque quem pagou o especialista foi ela, não eu! Eu poderia encontrar outro especialista que diria exatamente o contrário. Assim, voltamos ao início, onde temos apenas duas opiniões diferentes.
O que nós precisamos são evidências!
Quando eu chego do trabalho eu percebo que o Ozzy vem sentar no meu colo, não no colo da Josi. Eu estou baseando minha conclusão (que o Ozzy me ama mais) com uma observação do que está acontecendo, ou seja, no colo de quem ele senta quando chegamos em casa.
Esta observação casual é uma estratégia melhor do que as anteriores, mas ainda não é suficiente.
Isso porque pessoas não são muito boas observadoras. Nós tendemos a observar coisas e tirar conclusões que concordam com nossas crenças! Por exemplo, eu posso ter esquecido que o Ozzy senta no colo da Josi durante o café da manhã.
A lógica então parece ser uma boa fonte, mas a nossa lógica informal não é.
Se nós queremos desenvolver conhecimento real, devemos ter certeza que nossas explicações sobre o mundo são válidas… então precisamos de algo mais. Não podemos depender de fontes subjetivas ou não verificáveis, como falamos antes. Nós precisamos de observações sistemáticas, livre de desvios, combinada com lógica aplicada.
Em outras palavras, nós precisamos do método científico.
Vamos então aplicar o método científico na nossa pesquisa. Eis os 6 princípios:
1) A hipótese (que o Ozzy me ama mais) tem que ser testada empiricamente.
Isso significa que eu preciso coletar informações que vão suportar ou contradizer a hipótese. Para testar a hipótese do Ozzy, temos que coletar dados. Mas como eu vou observar isso? Eu posso perguntar ao Ozzy sobre os sentimentos dele (apesar de ele ser bem inteligente, a comunicação entre animais e humanos ainda não alcançou este nível!).Vamos concordar que gatos não expressam amor da mesma forma que humanos. Então não há nada para se observar. Esta hipótese não é empiricamente testável.
2) Um estudo deve ser replicável.
Ou seja, o resultado deve ser o mesmo, independente do número de vezes que o experimento é repetido. Se o resultado esperado ocorre apenas uma vez, ou em poucas vezes, pode ser que tenha sido só coincidência.
Vamos dizer que eu convenci a Josi que a demonstração de amor do Ozzy é ficar no colo da pessoa amada. Nesta semana o Ozzy sentou no meu colo duas vezes mais que no colo dela.
Conclusão: ele me ama mais, fim de papo, a gente já sabia disso mas fiz a pesquisa só pra provar, certo? Seria o fim se eu pudesse mostrar que o resultado é o mesmo em várias semanas.
Mas, e se depois da primeira semana o Ozzy fugir de casa, cansado de ser cobaia de dois loucos tentando testar seus sentimentos? Eu não posso mais repetir o experimento, nem chegar à conclusão. Se eu fizer o mesmo estudo com a Norah não estaremos repetindo o mesmo experimento, porque o teste era com o Ozzy.
3) O terceiro princípio é objetividade.
Isso quer dizer que qualquer pessoa deve poder repetir o experimento, sem necessidade do pesquisador que elaborou o teste (no caso eu) estar presente. Não importa quem está fazendo o estudo, o resultado deve ser o mesmo. Para isso, todos os conceitos e procedimentos do experimento devem estar bem claros, deixando nenhum espaço para subjetividade.
Vamos dizer que agora eu considero que quando o Ozzy fica se esfregando na minha perna é outro sinal de amor, além de sentar no colo, mas não digo isso para Josi. Mesmo se nós dois observarmos sistematicamente o comportamento dele, chegaremos a resultados diferentes, porque eu estou contando duas reações (sentar no colo e se passar na perna), enquanto ela está contando só uma (sentar no colo). O resultado depende de quem está observando porque agora cada um está seguindo um protocolo.
4) O quarto princípio é transparência.
Ser transparente é semelhante a ser objetivo. Todos devem ser capazes de repetir o experimento sozinhos, sejam pessoas que concordam ou discordam do resultado final.
5) O quinto princípio diz que uma hipótese deve ser refutável.
Isso é simples. É só imaginar cenários em que a hipótese pode se contradizer. Se não podemos achar um cenário onde a hipótese não se contradiz, ela não pode ser refutável.
Pergunte para qualquer pessoa com uma crença extremamente forte em uma religião: Quais evidências te convenceriam que a sua crença é falsa? Ou pergunte pra alguém que torce pro Corinthians: Quais evidências te convenceriam que o Palmeiras é melhor? Não importa quantos argumentos você listar, com certeza o Corinthiano dirá que o time dele é melhor e terminará dizendo: Vai Curintia!!!!!.
Ou seja, coisas que se baseiam apenas em crenças, como religião e futebol não podem ser avaliadas pelo método científico.
6) O sexto princípio diz que uma hipótese deve ser logicamente consistente, ou seja, coerente.
As conclusões também devem ser coerentes. Eu espero que o Ozzy venha se sentar mais no meu colo, já que eu acho que ele me ama mais. Mas se ele passar mais tempo no colo da Josi? Bem, eu posso dizer que ele sabe que quando está sentado no meu colo, a posição é desconfortável para mim. Ele demonstra amor ao não sentar no meu colo e me deixar mais confortável. Isso é ser inconsistente!
Eu mudei a interpretação do resultado depois que obtive os dados só para poder comprovar a minha hipótese. Isso também fere o quinto princípio porque torna a minha hipótese irrefutável. Eu sempre vou concluir que o Ozzy me ama mais, esteja ele no meu colo ou não.
Resumindo:
Se você chegou até aqui já deve saber que não adianta adotar o método científico para descobrir quem o Ozzy ama mais. É uma questão de crença, assim como o Corinthiano ali em cima.
Não importa o que você fale, eu tenho certeza que ele gosta mais de mim…
Este foi o método hipotético-dedutivo, ou seja, você formula uma hipótese, com base nos conhecimentos ou observações, faz experimentos e chega a respostas, ou, na maioria das vezes, novas hipóteses e novas perguntas.
Adaptado de “Quantitative Methods” — Annemarie Zand Sholten4
A Carta Ética para a Investigação em Educação e Formação (CEIEF) do Instituto de Educação (IE) da Universidade de Lisboa foi criada em 2016 e estabelece os princípios e normas de conduta ética aplicáveis aos membros docentes, investigadores e estudantes de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento no âmbito de suas atividades de pesquisa.
A Carta possui princípios e orientações que devem ser seguidos no âmbito da investigação de pesquisa.
Princípios: 1 — Liberdade de ação. 2 — Pluralidade de paradigmas 3 — Respeito pelos participantes. 4 — Integridade de atuação.
Orientações: 1 — Explicitação dos cuidados éticos. 2 — Proteção dos participantes. 3 — Consentimento informado. 4 — Confidencialidade e privacidade. 5 — Falsificação e plágio. 6 — Proteção e recolha de dados. 7 — Publicação e divulgação do conhecimento.
Importante salientar que os mestrandos devem solicitar parecer da Comissão de Ética (CdE) quando do registo de tema de dissertação e de orientador.
Compartilho dois vídeos elaborados pelo Prof. Dr. João Filipe Matos da Universidade de Lisboa
Questões de ética na investigação em educação e formação Parte I
Questões de ética na investigação em educação e formação Parte II
Nesta disciplina, Metodologia de Investigação I, fomos apresentados para a importância que esta disciplina possui para o percurso do caminho acadêmico, além de sermos apresentados a normas que uma pesquisa deve possuir para ser válida cientificamente. Assim, obtivemos uma melhor compreensão sobre a sua natureza e objetivos, sendo que auxilia na melhora da produtividade dos estudantes e da qualidade das produções.
Inicialmente, cumpre destacar a relevância que a prática de pesquisa proporciona para a sociedade, pois é através dela que novos conhecimentos são descobertos, assim como conhecimentos são desmitificados e para que a produção da pesquisa científica ocorra é necessário regras e métodos imprescindíveis para o seu sucesso, papel esse que cabe a metodologia de investigação explicar.
Conforme os módulos foram apresentados, a aprendizagem ocorreu ao visualizar que uma pesquisa científica não deve ser escrita de qualquer forma e não parte de um vazio, esta é sempre norteada por uma questão problema. Para tanto deve haver delimitação de tema, problema, objeto, fontes, metodologia, a indicação do tipo de pesquisa que será utilizada, as etapas dessa pesquisa, revisão de literatura, coleta de dados, análise dos dados e conclusão.
Neste módulo, foi necessário elaborar um e-portifólio com os diferentes temas abordados nas aulas, com contribuições frequentes sobre nossas pesquisas, assim foi necessária a leitura de diversas bibliografias, algumas indicadas e compartilhadas pelos colegas da disciplina. Observando o e-portifólio da turma, creio que as contribuições de cada um auxiliaram no enriquecimento e disseminação de conhecimento. Desse modo, coloco que a definição do problema, o primeiro passo para iniciar a pesquisa, é um dos mais difíceis, pois através dele deve desenvolver questões a serem respondidas, ou seja, toda a sua pesquisa baseia em torno dessas questões. No mais, a questão deve ser relevante para o meio acadêmico e para sociedade, assim através dos estudos percebi a relevância desse primeiro passo e a importância da delimitação do tema de sua pesquisa.
Partindo dessa reflexão, as aprendizagens realizadas a nível pessoal, foram significativas, ainda mais o compartilhamento das pesquisas com os demais colegas e poder ter o acesso as suas pesquisas, esse foi o ponto mais produtivo dessa disciplina, a troca de conhecimentos e experiências. No mais, as aulas síncronas são de extrema importância para o desenvolvimento dos assuntos colocados em cada módulo.
Importante destacar que também houve dificuldades ao longo da disciplina, tais como não lembrar as normas mais elementares para a elaboração de um texto científico, a necessidade da elaboração do pré-projeto, o qual é o desenvolvimento e a estrutura do trabalho científico, ou seja, um elemento principal e primordial para o desenvolvimento do trabalho.
De modo geral, avalio a minha experiência nessa disciplina como exitosa, a qual servirá de base para o trabalho científico que será desenvolvido, sendo que necessito estar capacitada para escolher o tema, a abordagem metodológica, as técnicas para a coleta de dados, análise e interpretação dos dados da pesquisa.
Aderindo a proposta de criação de uma identidade como investigador nos ambientes virtuais de produção acadêmica, disponibilizo abaixo os links para as plataformas recomendadas pela disciplina de Metodologia da Investigação I (Ulisboa):
A objetividade exigida pela ciência, muitas vezes, é obtida através da análise quantitativa de dados relacionados a um determinado fenômeno. A observação da realidade, em ciência, é seguida pela formulação de leis e teorias. Isso acontece nas ciências naturais e na aplicação da indução ou dedução típicos das ciências exatas. Para ilustrar as relações entre fatos, leis, teorias e sistemas, recorramos ao esquema a seguir:
Fonte: (SEVERINO, 2007, p. 101)
Esta imagem impõe uma reflexão acerca da observação de fenômenos na área da educação. Seria possível formularmos leis a partir da observação do trabalho docente ou do desempenho discente? Provavelmente não. A complexidade das ações humanas e as variáveis de cunho cultural e emocional nos obrigam a estabelecer uma outra “lógica”de investigação.
A palavra lógica sugere objetividade. Mas aqui, ao falarmos de investigação em educação, ela deve assumir o sentido de coerência. Não se trata de reconhecer uma relação óbvia entre as partes que compõe um determinado problema, mas de compreender um fenômeno a partir das visões dos atores diretamente envolvidos. Dessa forma, as variáveis culturais, emocionais e a complexidade de ser humano no mundo aparecerão de forma objetiva, ou seja, coerentes com o objeto e não com o investigador. Trata-se de uma lógica qualitativa.
A análise de fenômenos em educação implica na adoção de uma perspectiva naturalista. Autores como Guimarães (2012, p.195) chegam a sugerir uma distinção entre os termos acadêmico e científico, onde as ciências humanas relacionam-se com o primeiro e as ciências exatas com o segundo.
Lincoln & Guba (1985) fazem distinção entre “Abordagem empírico-racionalista” e “Abordagem naturalista”. A primeira visa a explicação dos fenômenos e a segunda a compreensão, ou seja, a interpretação coerente desses fenômenos.
Essas dicotomias expostas dão conta de elucidar o fato de que a investigação dos fenômenos em educação exige um esforço do investigador em analisar nuances de cada objeto. Afinal, a natureza humana não se mostra muito linear ou simétrica. Os contornos singulares de cada corpo humano sugerem caminhos subjetivos tão únicos quanto as formas físicas.
Portanto, investigar fenômenos em educação é um desafio ontológico, porque nos obriga a refletir sobre a natureza da educação enquanto fenômeno social e político. É também um desafio epistemológico, pois é sempre uma metainvestigação, uma vez que é por meio da “educação formal” que propomos os estudos. E finalmente, um desafio metodológico sobre o qual nos debruçamos neste breve texto.
Referências
Guimarães, Thelma de Carvalho (2012). Comunicação e linguagem. São Paulo: Pearson.
Lincoln, Y. & Guba, E. (1985) Naturalistic inquirity. New York: Sage.
Severino, A. J. (2007) Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. e atualizada. São Paulo: Cortez.
A ideia central não é explicar, nem generalizar e sim compreender os contextos, as pessoas no espaço e tempo em que foram ouvidas ou observadas;
Nem sempre há constatações, podemos observar resultados diferentes e isso é importante e significativo para o estudo;
No desenho da metodologia, desenha-se o processo de recolha de dados que pode modificar-se à medida que eles estão a ser recolhidos e analisados;
Os dados levantados através de entrevistas, por exemplos, traz as perspetivas que o entrevistado está a valorizar e a análise que se faz desses dados é o que permite chegar a um corpo de ideias ou “teorias”;
Está mais associada à pesquisa qualitativa por se basear na análise da linguagem, análise semântica, no significado que as pessoas dão às coisas;
A entrevista é um bom instrumento de recolha de dados, pois permite às pessoas expor suas ideias e o investigador pode ir mais em profundidade, numa perspetiva mais “clínica”;
Nos fenómenos da educação não há leis, os fenómenos variam de acordo com o contexto das pessoas, por exemplo;
Não é necessário levantar hipóteses e sim retirar informações dos dados recolhidos e chegar a conclusões que talvez nem sequer tivessem em alguma teoria;
Mais utilizado nas investigações das Ciências Humanas e Sociais.
Ao desenvolver um trabalho de investigação, precisamos definir em qual paradigma vamos nos situar para estudar tal fenómeno e, a partir daí, escolher quais os procedimentos, métodos, técnicas de recolhas de dados. Essas metodologias podem, em algum momento, serem mistas, por exemplo, ao explorar um questionário em função de algo que se pretenda estudar na pesquisa qualitativa. Mas não podemos falar em paradigma misto, pois paradigma é uma forma de ver o mundo. Portanto, não misturamos paradigmas.
Sobre ética: pode ser vista de diferentes desenhos, mas basicamente, a ideia central é salvaguadar o sigilo dos dados recolhidos e ter cuidados com certos tipos de utilizações que se faz com desses dados.
Baseado num método científico para estudar os fenómenos partindo do pressuposto que eles podem ser medidos, observados…;
O observador deve-se manter neutro (não influenciar nas análises e conclusões). Ele é exterior ao fato/fenómeno observado;
O fenómeno é passível de ser explicado e comprovado após novas medições;
Utiliza amostra construída com certo rigor para fazer generalizações;
A partir da revisão da literatura, levantam-se hipóteses. Após a recolha de dados, as hipóteses podem ser verificadas ou não (lógica dedutiva);
Está mais associada à pesquisa quantitativa por se basear numa lógica mais confirmatória, da estatística para medir os fatos;
Pensamento dedutivo: vai à teoria, identifica um problema, formula hipóteses e recolhe dados para verificar ou não uma hipótese;
Os fenómenos das Ciências Naturais são mais consistentes, portanto é possível determinar regras e leis;
O questionário com perguntas fechadas é um bom instrumento de recolha de dados, pois permite captar com números as informações e fazer um tratamento estatístico;
Mais utilizado nas investigações das Ciências Naturais.
O método científico positivista numa abordagem mais racionalista nem sempre é o mais adequada para estudar os fenómenos relacionados às Ciências Humanas e Sociais. Esses fenómenos muitas vezes são inconsistentes, dependem do modo como os indivíduos os interpreta. E ao fazer uma investigação em Educação temos que ter em consideração essa complexidade.
A realidade das Ciências Naturais é diferente da realidade das Ciências Humanas e Sociais. Por isso, nos últimos anos tem havido um deslocamento da perspetiva quantitativa para qualitativa. No entanto, há necessidade de se tomar certos cuidados na investigação para que a abordagem naturalista seja considerada ciência, para que ela se aproxime mais da perspetiva aceita como científica.